O PODER DA LÍNGUA

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Revista Publicittà apresenta no primeiro número de sua edição digital de distribuição gratuita, que você pode acessar em REVISTA DA SEMANA no rodapé deste portal, artigo que mostra o poder da língua através dos séculos e de como tem moldado a sociedade que hoje faz uso de expressões anglo-saxônicas e que, muito em breve, estará utilizando outros do idioma chinês com a posição de potência global que o país asiático vem assumindo. Por sua relevância o reproduzimos aqui:

AO VENCEDOR, A SUA LÍNGUA

Desde os primórdios, o homem encontrou na comunicação um instrumento de poder. Os vencedores impunham aos perdedores a sua cultura por meio da língua. Foi assim com os grandes impérios e poucos foram os que conseguiram preservar sua cultura e sua expressão máxima, a língua, e os seus costumes e crenças ainda que os adaptassem como ocorreu com o latim que acabou por dar origens a outras línguas, inclusive o português, poeticamente chamado por Camões de “a última flor do Lácio”. Isso por ter sido desta região italiana que partiram as tropas que anexaram Portugal ao Império de Roma.

É a comunicação exatamente o que nos une enquanto tribos, nações, ainda que sujeita às ingerências externas, sejam elas territoriais, políticas, sociais ou econômicas. E, como “ao vencedor, a sua língua”, numa referência ao grande escritor Machado de Assis que usou a expressão em Quincas Borbas para explicar que os vencedores ficavam com as batatas dos campos de guerra. Finda a Segunda Guerra Mundial, em 1945, os Estados Unidos conseguiram impor a sua língua ao mundo e até o padrão dólar em substituição ao padrão ouro como lastro de valor nas negociações globais. Com o dólar como padrão monetário, por decisão do Tratado de Breton Woods e uma Europa arrasada pela guerra, era preciso exportar a língua e a cultura, assim como os produtos americanos.
Empresas do vencedor, então, compraram várias no velho continente, na bacia das almas. E fez uso do cinema, a comunicação, para vender ao mundo o “American way of life”, das fórmicas, das geladeiras Westinghouse, Frigidaire e uma variedade de itens eletro e eletrodomésticos da General Eletric e de tecidos sintéticos criados pela DuPont sob o rugido do Leão da Metro Goldwin Mayer e a luz brilhante da Paramount.

Então o “in” e o “out” foi deixando out os idiomas locais e a cultura do vencedor foi invadindo o mundo com Coca-Cola, Pepsi, McDonald’s, Levi’s, Unilever e outras tantas, assumindo controle da internet e dos computadores com Microsoft, Google, Facebook e WhatsApp. Com os aliados ingleses do idioma, fizeram a festa comprando, no Brasil, agências de importantes criativos e, mais uma vez, impuseram a língua e empresas que antes tinham profissionais de talento perderam a cabeça e, vez por outra, mas com muita frequência, anunciam que acabaram de contratar um “head”, uma cabeça disso ou daquilo. Não demorará o dia em que anunciarão que precisam de uma “coffeofficer”, as sempre simpáticas mulheres do cafezinho.

 

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