PAULO GUSTAVO: FOI-SE A COMÉDIA, FICAMOS COM A TRAGÉDIA

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O ator e humorista Paulo Gustavo Amaral Monteiro de Barros, 42 anos, elevou ontem, dia 4 de maio de 2021, para 412 mil o número de vítimas no Brasil da pandemia Covid-19. Ele como os demais brasileiros e brasileiras não é um número, é uma pessoa que amou, fez rir e deixa de legado uma trajetória brilhante nos palcos, nas telinhas e nas telonas. Deixa viúvo o marido Thales Bretas e órfãos os filhos pequenos Gael e Romeu.

Paulo Gustavo, que nasceu em Niterói, conquistou o sucesso por meio do humor, com personagens marcantes como a Senhora dos Absurdos, Valdomiro Lacerda Pinto e Dona Hermínia que deu origem aos três filmes da série “Minha mãe é uma peça”, sucessos de público e bilheteria. 

Paulo Gustavo fez rir e, no dia em que o Congresso Nacional deu início finalmente à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, que tem todos os meios e atos comprovados para responsabilizar o governo federal pela tragédia que vivemos hoje, o humorista fez chorar. Partiu. Deixa de legado o seu humor, o seu riso franco e aberto e as atitudes em defesa de um país melhor. É com o texto sensível, de quem conviveu e conheceu com um homem engajado na defesa do Brasil, que Revista Publicittà se despede do artista, na certeza de que seu legado permanecerá vivo. 

Maria Paula Fernandes*

Ele chegou junto desde o início. Antes do início, na verdade. Dias antes da gravação da campanha “Movimento Gota D’Água”, em 2011, Paulo Gustavo nos envolveu com sua enorme generosidade. Chegou arrastando uma mala enorme com a produção do figurino da “Senhora dos Absurdos”, personagem criada e interpretada por ele, deu seu toque pessoal no texto que questionava a construção de Belo Monte e o desrespeito aos direitos dos povos indígenas. E fez todo mundo passar mal de tanto rir.

Mesmo sabendo da complexidade do tema e que a campanha poderia gerar uma reação contrária por mexer com os interesses de poderosos, ele se manteve firme e forte ao nosso lado, levando alegria e apoio incondicional. Porque Paulo Gustavo era assim: tudo por e para os amigos, sempre encontrando maneiras de acolhê-los e promovê-los.

Ele era gigante. Seu legado é inestimável. Seu exemplo de profissionalismo, comprometimento em colocar a arte a serviço das causas socioambientais e cumplicidade conosco jamais vamos esquecer. Torcemos para que sua imensa generosidade inspire as pessoas. Ele tocou nossos corações e nos ensinou que é possível falar de temas complexos com leveza, humor, sem apontar dedos e buscando o diálogo. A semente plantada por Paulo Gustavo inspirou o trabalho desenvolvido pela Gota ao longo destes 10 anos.

Dividimos com vocês o nosso profundo carinho e agradecimento a este amigo tão querido compartilhando imagens do making of da gravação da Senhora dos Absurdos. Desejamos muita fé para a família e amigos para lidar com este momento e desejamos que o nosso querido Paulo Gustavo esteja provocando gargalhadas onde estiver. Obrigada por ter feito parte da nossa história. Para nós, você sempre será uma gota neste oceano de solidariedade. Certamente, a mais divertida.

*Maria Paula Fernandes é jornalista, diretora fundadora da ONG Uma Gota No Oceano (www.umagotanooceano.org)

 

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