SAINT LAURENT TRAZ REBELDIA PARA UM MUNDO EM TRANSFORMAÇÃO

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Por Yume Ikeda, de Tóquio

Num mundo que precisa urgentemente se reinventar, assolado pela pandemia Covid-19 e pelo agravamento das questões ambientais, a poderosa grife criada por Yves Saint-Laurent traz uma mensagem de rebeldia e reciclagem de tecidos, cortes mínimos e o retorno das micro saias dos anos rebeldes e até um pouco de contrastante brilho para paisagens que ainda resistem com beleza em meio às ruínas. O que explica a escolha do diretor criativo Anthony Vaccarello por uma praia, aparentemente inóspita, onde o degelo por conta do aquecimento global se faz presente, mas que guarda a beleza de uma cachoeira, para desfilar a sua coleção inverno 2021 de Saint Laurent.  A musicalidade pungente de Sebastian para “Sarajevo”, de Max Richter, acompanha as belas imagens do filme que tem a direção sensível de Nathalie Canguilhem. Um vislumbre para os sentidos. 

Modelos com micro saias, pelúcias que você achava que nunca mais veria, tecidos colados ao corpo, novos e antigos materiais se reciclando vão surgindo. Nessa mistura entre os cortes clássicos e o uso de artigos que todos classificados como kitsch, brega seria a palavra correta, mas que Vaccarelo também reinventa para proclamar uma moda em linha com um mundo em transformação, que requer a rebeldia. 

Botas altas, sapatos de bico, daqueles com os quais qualquer mulher pode matar uma barata no canto da parede, se fazem presentes. É tudo a arte do encontro, um jogo de montar e desmontar, sem temer a mistura de cores que fogem ao permanente dégradé das paletas. Vaccarelo insinua, assim, que o inverno das nossas vidas, num mundo em ebulição, é um convite para a transgressão à espera de tempos mais solares e de natureza ainda mais exuberante que dependerá de cada um de nós para se reciclar. 

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