O CARREFOUR E O BRUTAL ASSASSINATO DE JOÃO ALBERTO FREITAS

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Por Carlos Franco

A rede de hipermercados Carrefour acaba de lançar a campanha publicitária “Juntos para Transformar”, assinada pela Publicis, em que assume o compromisso de combater o racismo em suas dependências depois do brutal assassinato do afrodescendente  João Alberto Freitas, de 40 anos, em sua loja no bairro Partenon, na zona leste de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Este crime hediondo ocorreu no dia 19 de novembro de 2020, na véspera do Dia da Consciência Negra, e foi praticado pelos seguranças Magno Braz Borges e Giovane Gaspar da Silva, um ex-militar e um policial militar temporário, sob o olhar complacente de funcionários, o que levou a rede a assumir, na ocasião, o  compromissos de coibir tais deploráveis atitudes e atuar no combate ao racismo.

Dos comunicados comuns e que constam de qualquer bom manual de crises, atrelados às regras inodoras de departamentos jurídicos, procurando não criar argumentos passíveis de questionamento na esfera judicial, a rede, agora, se movimenta para mostrar que está agindo. É de se esperar que não fique apenas no marketing e que não invista mais em campanhas para preservar reputação e imagem do que propriamente nas ações. 

O crime contra João Alberto Freitas foi similar ao que vitimou o americano, também afrodescendente George Floyd, de 48 anos, em Minneapolis, Minnesota, USA, deflagrando manifestações contra o racismo em todo o mundo civilizado, inclusive na França, onde está sediado o Carrefour. Embora o Rio Grande do Sul  seja um tradicionalmente um estado conservador e onde o racismo é estrutural, movimentos contra este tipo de inaceitável violência ocorreram e o rapper e ativista Rafa Rafugi criou música e participou de manifestação no dia seguinte ao hediondo crime contra a vida de João Alberto Freitas. Uma manifestação legítima, digna de aplausos e que clama por ações que a rede, agora, depois de vários casos de desrespeito à vida em suas lojas, diz que está tomando.

É de se esperar que o Carrefour, a partir de agora, faça mais que propaganda, já que casos deploráveis como este não se revertem apenas com marketing, mas com atitudes reais e com o real respeito à integridade e à vida humana, algo que muitos departamentos de Recursos Humanos (RH), apesar do nome, desconhecem, precisam aprender o que é e do que se trata. O clamor legítimo de Rafa Rafugi ganha aqui nosso apoio e nossa assinatura. Também não esqueceremos de João Alberto Freitas e do crime numa loja do Carrefour em Porto Alegre, nisso a campanha da Publicis acerta; NÃO ESQUECEREMOS.

 

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