A MODA URUGUAIA DE CHLOÉ EM PARIS

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Por Yume Ikeda, de Tóquio

No ano do centenário da egípcia Gaby Aghion (1921-2014), Chloé, a grife que ela criou com Jacques Lenoir em 1952, desfilou a moda uruguaia assinada pela estilista Gabriela Hearst nas ruas de Paris. Um estupendo desfile em Saint-Germain-de-Prés onde ficam situados lugares boêmios, como o Café de Flore, onde Gaby Aghion realizou o primeiro desfile da grife que tinha como diretor criativo Karl Lagerfeld. Foi, inclusive, numa das mesas do famoso café, onde nunca faltou bebida alcóolica e bons petiscos, que Gaby trocou ideias e impressões do mundo com Pablo Picasso, Jean Paul Sartre, Simone de Beauvoir entre outros intelectuais e artistas do seu tempo antes de inaugurar seu ateliê de costura. A coleção criada por Gabriela para o inverno 2021 de Chloé não só resgata este espírito livre e boêmio de Gaby como aponta a grife para modernidade dos tecidos reciclados e traz à cena contribuições uruguaias em peças como os ponchos e os tecidos vindo de teares rústicos além de uma potente musicalidade. 

A grife que foi uma das primeiras a quebrar a regra das grandes casas de costura francesas, de exclusividade de modelos, ingressando no mundo do  prêt-à-porter, o “pronto a vestir”, dispensando-se as intermináveis trocas e ajustes, democratizando o uso de peças de alta costura a um preço justo.  A expressão “pronto para vestir” foi criada pelo estilista francês J.C. Weil, no final de 1949,mas foi  Chloé que a transformou em realidade e no seu centenário é outra Gabriela, uma estilista uruguaia que mostra os motivos que levaram Jackie Kennedy, Grace Kelly e Brigitte Bardot, ícones universais do vestir e saber viver a vida.

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