VOA, LILO CLARETO, VOA EM PAZ!

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Maria Paula Fernandes*

Esse mineirinho ganhou o nosso coração – nosso e de uma legião de fãs. Lilo Clareto foi muito mais que um fotojornalista reconhecido por seu trabalho no Estadão, na revista Época, no Repórter Brasil, no El País e no The Guardian. Lilo foi parceiro de luta contra um gigante chamado Belo Monte. A vocação para dar voz àqueles que sofreram com a construção da hidrelétrica falou mais alto. O profissional já reconhecido queria mais e então fez as malas, deixou São Paulo e seguiu para Altamira, no Pará.

Abraçou a Amazônia, os indígenas, os ribeirinhos e contou muitas histórias ao lado de Eliane Brum. Foi lá que ele conheceu Dani, sua grande parceira no amor e no olhar atento para ajudar aos que precisavam.

Em fevereiro, ele realizou o seu último trabalho, com a Gota**, fazendo imagens da Volta Grande do Xingu para denunciar as consequências da construção de Belo Monte para os povos ribeirinhos e indígenas.

Lilo foi incansável. Seu exemplo de amor ao próximo fez nascer uma corrente de solidariedade e de fé por sua recuperação. Foram diversas pessoas, de vários cantos do país, se doando por Lilo. Uma corrente que teve o comando da também incansável Eliane Brum, que gentilmente dividia atualizações diárias sobre o estado de saúde dele. Foi bonito de ver. Mas nosso jornalista-inspiração hoje foi descansar, depois de uma longa batalha contra o coronavírus.

Deixamos nossos mais profundos sentimentos à Dani, à família, aos amigos. Muita fé e orações para atravessar este momento.

Para nós, Lilo agora vai se transformar em uma semente de solidariedade e de apoio aos ribeirinhos, indígenas e povos tradicionais, cujas múltiplas vozes devem ser ouvidas. Obrigada por tanto, Lilo! Seu exemplo de amor ao próximo jamais vai ser esquecido.
Voa em paz, grande parceiro.

*Maria Paula Fernandes é jornalista, diretora fundadora da ONG Uma Gota No Oceano** (www.umagotanooceano.org)

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