GUCCI E BALENCIAGA SE UNEM EM BELA ARIA

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Por Yume Ikeda, de Tóquio 

A grife italiana Gucci completa 100 anos em 2021 e se mostra disposta a inovar e a causar burburinho no mundo da moda. Foi o que aconteceu no mês passado, quando um buzz (fashionistas preferem dizer ti-ti-ti) tomou conta do mercado em torno de uma possível união de Gucci com a espanhola Balenciaga, a grife que completou seu centenário há dois anos. Em comum, ambas pertencem ao Grupo Kering, um dos impérios globais do luxo. Mas, como não é comum que duas marcas tão poderosas se unam, sequer para trabalho conjunto, a surpresa foi geral com a apresentação de uma coleção, de fato, conjunta das duas grifes sem que nenhuma perdesse frescor e intensidade, apenas somando qualidades. 

O desfile virtual, uma longa Aria, como foi intitulado, mostra que tanto o diretor criativo de Gucci, Alessandro Michele, quanto o estilista Demna Gvasalia, de Balenciaga, souberam colaborar um com o outro em nome da elegância e de uma coleção sensual e fascinante. Provocativa até quando Alessandro Michele retoma a tradição equestre de Gucci e a impregna de fetiches sem ultrapassar a linha tênue que a separa da cultura sadomasoquista. É uma bondage com bondade o que apresentam, apesar de ser longa a mostra, embora ideal para quem é apaixonado por moda.  Alessandro Michele manteve a alfaiataria deslumbrante que tem marcado suas coleções, mas decidiu, talvez estimulado pela presença de Demna Gvasalia, retomar as silhuetas elegantemente femininas que seu antecessor, Tom Ford, havia emprestado à Gucci. O final do desfile – se for apressado caminhe até faltar cinco minutos para o término – é simplesmente deslumbrante e as duas grifes mostram que a colaboração entre dois criativos, que os moderninhos chamam de collab, pode render bons frutos. 

Gucci e Balenciaga saíram ganhando.

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