RALPH LAUREN DE VOLTA AO PASSADO, RUMO AO FUTURO

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Por Carlos Franco

Num mundo sombrio, marcado pela pandemia Covid-19, Ralph Lauren decidiu mergulhar, em branco e preto, no glamour da Hollywood dos anos 1940 e 1950. É preciso virar a página, como ocorreu nos pós-guerra, para seguirmos em frente, viver e ter prazer no futuro, deixando para trás os escombros do passado. O que, evidentemente, só irá ocorrer quando todos, sem deixar ninguém para trás, estejam vacinados e o vírus e o seu poder de morte esteja completamente dizimado. É tudo ou nada, como diz a bela canção “All Or Nothing At All” imortalizada por Billie Holiday (1915-1959) que Ralph Lauren traz, em nova versão, na voz de Janelle Monáe. A coleção da grife americana, que foi criada em Nova York nos rebeldes anos 1960, prima pelo bom gosto de uma alfaiataria que incentiva o vinco que parecia perdido no tempo. 

Nesta coleção primavera 2021, os tecidos ganham cortes precisos que, como no pós-guerra, mesclam o feminino e o masculino, não importa o gênero, o importante é preservar o conforto, a delicadeza das curvas corpóreas natas do homem e da mulher, seus ombros, suas costelas, suas pernas. São modelos embalados por uma canção que diz que é tudo ou nada porque meio amor nunca nos atrai. Verdade. Ralph Lauren acerta em cheio, atrai por inteiro o nosso olhar, é elegante, sóbrio, sofisticado e, ao mesmo tempo, simples como o amor deve ser. Não são necessárias as cores, os filmes em branco e preto nunca nos impediram de sonhar e a vida em branco e preto de Chanel nunca deixou de ser sofisticada, troca-se o pano de fundo do acordeom francês pelo piano negro do jazz e do blues. Esse lamento em forma de prece com o qual Ralph Lauren saúda um novo tempo. O sol há de brilhar nestas notas musicais noturnas desta apresentação impecável de Janelle Monáe. 

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