O MERCADO ESTÁ MORTO. PODEMOS ELOGIÁ-LO À VONTADE.

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Por Carlos Franco

O mercado está morto. Morreu na prisão nesta quarta-feira, dia 14 de abril de 2021, na Carolina do Norte, nos Estados Unidos. Era assim, como “o mercado”, que Bernard Lawrence Madoff, o Bernie para os íntimos de Wall Street, era conhecido e respeitado no mundo financeiro global. O homem que comandou a Nasdaq, a bolsa de valores de onde empresas emergentes como Microsoft, Google, Apple e Facebook seguiram caminho para estrelato, está morto. Deixa para trás, aos 82 anos, um rombo de bilhões de dólares e a maior parte de uma pena de 150 anos de prisão, que começou a cumprir em 29 de junho 2009. 

Agora, o mercado não fala mais, está morto. Como diria Machado de Assis (1839-1908), no conto O empréstimo, “está morto, podemos elogiá-lo à vontade.” Resta apenas saber se alguns dos que caíram no conto do vigário de Madoff irão fazê-lo. De acordo com o importante jornal The Wall Street Journal, em sua edição de 16 de dezembro de 2008 (clique aqui para acessar) , estes foram os que mais perderam por acreditar nesta entidade chamada “mercado”, isto é, Madoff, para não citar valores menores, de investidores como Steven Spielberg que, fora ficção, amargou prejuízo real. Os valores das perdas foram estimados pelo jornal assim como os maiores perdedores:

  • Fairfield Greenwich Advisors, 7,5 bilhões de dólares;

  • Tremont Capital Management, 3,3 bilhões de dólares;

  • Banco Santander, 2,87 bilhões de dólares;

  • Bank Medici, 2,1 bilhões de dólares;

  • Ascot Partners, 1,8 bilhão de dólares;

  • Access International Advisors,1,4 bilhão de dólares;

  • Fortis, 1,35 bilhão de dólares;

  • Union Bancaire Privée, 1 bilhão de dólares;

  • HSBC, 1 bilhão de dólares.

E como o mercado não conhece limites, nem dentro da prisão, Madoff ainda protagonizou uma história no mínimo bizarra. Em janeiro de 2017, de dentro da penitenciária federal de Butner, na Carolina do Norte, Madoff comprou todos os pacotes de Swiss Miss, uma bebida instantânea de leite em pó e chocolate, diretamente das autoridades prisionais e, posteriormente, os revendeu a outros detentos por um preço maior conforme noticiou a revista Época (clique aqui para ler). Claro que dando comissão generosa aos carcereiros. 

Agora, o mercado se foi. Mas não faltam substitutos e os candidatos são sempre em grande número. Uma turma que se esconde por trás de Madoff, isto é, desta entidade chamada “o mercado”. É esse “o mercado” que invariavelmente celebra privatizações, cortes de emprego e ajustes fiscais que matam o paciente em vez de tratá-lo. Madoff deixa um bom exemplo, certamente existem aqueles que, como preconizou Machado de Assis na ficção, irão elogiá-lo.

E segue o jogo.

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