ISMAEL IVO, OS ÚLTIMOS PASSOS DE UM DANÇARINO GENIAL

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Por Carlos Franco

Ismael Ivo, o  menino que nasceu na Vila Prudente, na Zona Leste paulistana, e foi criado na Vila Ema apenas pela mãe, uma empregada doméstica, logo cedo deu seus primeiros passos na dança e tornou-se uma estrela internacional da dança moderna. Encantou plateias e os olhares afiados de Pina Bausch,  William Forsythe e Marina Abramović. Dançou com Márcia Haydée e outros monstros sagrados da dança. Tornou-se coreógrafo por talento e vocação. E se não fosse suficiente foi diretor da  Bienal de Veneza e o primeiro negro e estrangeiro a dirigir o Teatro Nacional Alemão, em Weimar. Entre Estados Unidos e Europa, viveu fora do Brasil durante 33 anos emprestando arte e encanto aos seus passos na dança, mantendo o olhar de menino que queria dançar.

Ismael Ivo retornou ao Brasil em 2017, convidado pela Secretaria Municipal da Cultura de São Paulo para dirigir o Balé da Cidade de São Paulo, sendo o primeiro negro a ocupar o cargo. Deixou então Berlim, retornando à cidade onde nasceu depois de 33 anos brilhando nos palcos do mundo, dos Estados Unidos à Europa.

Em solo brasileiro e aos 66 anos, Ismael Ivo no dia de ontem, 8 de fevereiro de 2021, passou a integrar as tristes estatísticas de 345 mil brasileiros, 345 mil vidas, 345 mil histórias, 345 mil amores que tocaram a vida e os sonhos de milhões de brasileiros, largados à própria sorte na pandemia Covid-19 pela irresponsabilidade de um governo federal sem o menor compromisso com a vida.

Fica aqui o registro dessa gigante figura da dança, que deu seus últimos passos num país que sepulta a vida e os seus talentos e é governado por um presidente de extrema direita sem nenhum compromisso com o país, os brasileiros e as brasileiras.

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