DIOR ABRE AS PORTAS DO CASTELO DO TAROT

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Por Carlos Franco

Christian Dior (1905-1957) sempre amou a arte e fez dela o seu meio de vida. Em 1946, no pós-guerra, abriu as portas de sua casa de alta costura em Paris e nunca mais parou. Transformou sonhos em realidade. Fez escola. A italiana Maria Grazia Chiuri, atual diretora criativa de Dior, celebra a coleção primavera-verão 2021 de alta costura da famosa maison no esplendor do Tarot – iluminado no século 15 por Bonifacio Bembo para o Duque de Milão. Pelas mãos do cineasta italiano Matteo Garrone, a estilista conduz os olhares para um mundo de magia num dos mais sensacionais curtas-metragens do mundo da moda deste ano. Veste com elegância os arcanos e aqueles que partem em busca da leitura das cartas, daquilo que nos reserva o destino.

Christian Dior amava as cartas. Maria Grazia as vestiu com suas criações e nos conduz por um castelo, um labirinto, onde elas vão se apresentando, carregados de beleza e significado até que o portal do almejado futuro se abra, resplandecente como o desejamos. Uma beleza clássica tanto na alfaiataria como na escolha dos tecidos – sedas, rendas, tafetás – e de tudo, incluindo os acessórios e objetos de arte, que possa  incorporar o véu dos mistérios que as cartas guardam. Um passeio por um mundo povoado de beleza, por vezes sombrio como os mistérios da vida que nos rondam. Dior em estado puro e lapidado pelo conhecimento que ilumina, que nos tira dos labirintos temerosos nos quais todos nós, em todas as partes, estamos mergulhados desde março de 2020, quando os primeiros casos da pandemia global Covid-19 se apresentaram, espalhando temor.

Maria Grazia e Matteo Garrone, asssim, nos retiram das sombras, nos conduzem para o renascimento porque as cartas de Tarot são sempre indicativo de novos ciclos, do renascer, palavra que tem tudo a ver com Dior e que tem muito a ver com nosso desejo de verões e primaveras carregados e estampados de luz. Por fim, vale observar que a palavra tarot, de origem francesa como Dior, designa as cartas mais conhecidas e usadas do mundo, criadas em Marselha, embora, no Brasil, tenham sido aportuguesadas para tarô. O importante é que guardam em seus arcanos a temperança e a esperança que são universais como o Sol e a Lua, o dia e a noite, e o nosso desejo que eles irradiem sempre vida, sejam o imperador e a imperatriz de nossos dias, de nossas certezas e incertezas, da vida que é bonita e é bonita, como cantou Gonzaguinha. Uma vida solar e primaveril tanto quanto a coleção de Dior 2021 para essas duas promissoras estações, vacinados que precisamos estar do mundo e dos vírus que nos espreitam.

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