COMME DES GARÇONS EM BRANCO E PRETO

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Por Yume Ikeda, de Tóquio

A estilista japonesa Rei Kawakubo tem surpreendido o mundo desde que criou a sua grife Comme des Garçons (como meninos) em 1973 e abriu a sua primeira loja no sofisticado bairro de Aoyama, em Tóquio. Foi ela a responsável por vestir o mundo de preto na década de 1980 e 1990, tornando-se referência do modo dark e gótico de vestir-se em todo o mundo. E, mais uma vez, Rei Kawakubo retoma esse amor pelo monocromático, o preto e o branco, na coleção que apresenta para Comme des Garçons, também conhecida pelo acrônimo CDG, para o outono/inverno 2021.

A Comme des Garçons não faz concessões, mergulha nesse universo tão particular e mantém coleções mais próximas da moda que se usa nas ruas na Dover Street Market, uma multimarcas de varejo de luxo com lojas em Nova York, Tóquio, Cingapura, Pequim e Los Angeles, além de comercializar perfumes e joias.

Num mundo transfigurado por tantas informações, a estilista japonesa se concentra no preto e no branco e a eles adensa volume, muito volume, e busca no passado revisitado uma linguagem incômoda de tão simples. Saias que seguem as linhas vitorianas, chapéus clássicos reciclados pelas mãos de Ibrahim Kamara e forros, um exagero de forros brancos, para realçar o preto e até ideogramas que dão vida às crinolinas infláveis. Preto no branco, do algodão ao tule preto, assim todas as peças acabam por revelar, por debaixo, a intenção da monocromia. De brincar num mundo em que os dias parecem todos cinzas por força da pandemia Covid-19 e de trazer, num clima de suspense noir, sugestões de uma moda que envolve e nos traços da costura que ainda dialogam com a precisão japonesa do ato de vestir.

Rei Kawakubo é o tipo de estilista que deixa clara a dicotomia entre o ame ou odeie, mas não é possível ficar indiferente às suas criações. Confiram:

 

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