SAINT LAURENT DESAFIA A MODERNIDADE LÍQUIDA

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Por Yume Ikeda, de Tóquio

Yves Saint Laurent é uma grife que sempre teve o poder de surpreender e gerar buzz (como foi apelidado hoje o ti-ti-ti de décadas atrás), suas coleções sempre procuraram vestir a mulher com conforto, mas sobretudo com o diferencial da novidade, fruto de uma ousadia milimetricamente calculada. A sua coleção verão 2021, que tem início no Hemisfério Norte em 21 de junho, quando no Hemisfério Sul começa o inverno, traz aquilo que se espera de Saint Laurent: elegância.

Uma coleção que, talvez, exigirá um pouco mais de muitas das cabecinhas culturalmente vazias que se ocupam hoje de blogues de moda (fashion) para ser apresentada porque mergulha no mundo da Nouvelle Vague francesa, quando tudo parecia sombrio e se buscava, ainda assim, a liberdade, a liberdade de ser e de redescobrir antigos lugares com novos olhares.

A voz de Sylvie Vartan, ícone da década de 1960 no apogeu da Nouvelle Vague, não deixa dúvidas quanto ao passeio do diretor criativo Anthony Vaccarello por este ambiente, onde o olhar redescobre lugares que sempre estiveram ali, como o desgaste e a transmutação da arquitetura da própria maison (casa) ou mesmo a retirada de areia do rio Sena para que continue fluindo aos olhares dos turistas e a beleza que existe nesses escombros ganhe vida.

A clássica canção La Maritza não poderia ser mais apropriada para a situação. Saint Laurent não chega a trazer grandes novidades para este verão, mas sim um novo olhar para o que são as raízes da marca que, como o prédio no qual se assenta, resistem ao tempo com um detalhe ou outro de modernidade, como o rio resiste, mas exige cuidados para sempre se renovar. Saint Laurent desafia a modernidade líquida e reencontra seus valores. Voilá!

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