UBERLÂNDIA ULTRAPASSA VENEZUELA EM MORTES POR COVID-19

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Por Carlos Franco

A cidade mineira de Uberlândia, com 700 mil habitantes, encerrou o dia 25 de março de 2021 contabilizando 1.644 vidas perdidas desde o dia 2 de abril de 2020, quando registrou a primeira morte pelo vírus. O quadro dramático desta que é a segunda maior cidade mineira, depois de Belo Horizonte, levou o prefeito Odelmo Leão Carneiro (PP) a ignorar a CARTA DOS IRRESPONSÁVEIS DE UBERLÂNDIA (clique aqui para ler) que defendiam a reabertura imediata de todas as atividades econômicas do município. O lockdown em vigor desde o dia 20 de fevereiro, de 20 horas às 5 horas, e a abertura e funcionamento apenas de serviços essenciais, como alimentos e medicamentos,  que são parte da fase rígida de combate à pandemia, prosseguirá até o dia 9 de abril. A cidade hoje tem taxa de ocupação de leitos de 100% já há dez dias e convive, desde o início da semana, com o temor da falta de oxigênio para o atendimento de pacientes em estado grave, hospitalizados em UTIs tanto da rede pública quanto privada.

O número de mortes na cidade, que depositou nas urnas mais de 60% de seus votos nas eleições presidenciais para o candidato de extrema direita Jair Bolsonaro, já ultrapassa ao número de mortos da Venezuela. No mesmo período, esse vizinho país da América Latina contabiliza 1.532 mortes para uma população de 28,8 milhões de habitantes. Não será por demais lembrar que, diante do descaso e do desconhecimento de logística por parte do Ministério da Saúde do Brasil, foi a Venezuela de Nicolás Maduro que socorreu a cidade de Manaus no momento mais crítico do colapso hospitalar no Amazonas. 

Então, se eleitores desta cidade que adotaram um comportamento negacionista em relação à pandemia Covid-19 e votaram em Bolsonaro temendo que o Brasil virasse uma Venezuela, é bom já irem arrumando outra fake news (notícia falsa) para se apoiarem. Uberlândia hoje exibe um cenário caótico e real, muito pior do que o apresentado pela capital venezuelana de Caracas, e pior do que a própria Venezuela no planejamento e no enfrentamento do coronavírus. Assumiu, lamentavelmente, uma triste liderança frente ao país governado por Maduro.

Muitos dos erros cometidos, desde o uso de cloroquina e hidroxicloroquina, drogas que, desde o início da divulgação pelo governo federal não tinham eficácia científica comprovadas e, agora, tiveram seu uso proibido em território americano pela poderosa agência anti-drogas (FDA) dos Estados Unidos, e a adoção tardia de medidas mais drásticas tivessem sido adotadas, é possível que o cenário fosse outro. A decretação municipal das chamadas medidas rígidas, agora em vigor, só ocorreu quando os leitos tornaram-se indisponíveis e as mortes de pessoas da alta sociedade preencheram os temidos formulários de óbito. E, por sua vez, juízes e promotores do município acabaram por dar razão, ainda que tardia, fazendo juz ao slogan da bandeira mineira, à ciência, vetando o uso de medicamentos como a cloroquina no tratamento aos pacientes.

A cidade enfrenta ainda o obscurantismo de alguns de seus vereadores, como Thiarles Santos (PSL) e Cristiano Caporezzo (Patriota), que chegou à Câmara Municipal em vaga aberta pela morte, por Covid-19, da vereadora Drika Cuidadora (Patriota), que, uma semana antes do anunciado e previsto colapso hospitalar, em 12 de fevereiro, convocaram manifestações pela volta presencial das aulas, num total desprezo e respeito à vida humana e às famílias enlutadas desta cidade que é hoje um dos epicentros da Covid-19 no Brasil.

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