A PANDEMIA E A CARTA DE NOSSOS FUTUROS MÉDICOS

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O mais novo titular da pasta da Saúde do governo de extrema direita de Jair Messias Bolsonaro, o médico Marcelo Antônio Cartaxo Queiroga Lopes, quarto a assumir o ministério durante a pandemia Covid-19, foi recebido com protesto hoje em visita à Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Estudantes de Medicina o saudaram com o slogan: “Cloroquina não, Vacina sim”.

Cloroquina e hidroxicloroquina são remédios ineficazes contra a Covid-19 e que têm causado sérios riscos à saúde de pacientes infectados pelo coronavíruss conforme relatos hospitalares e estudos da agência anti-drogas dos Estados Unidos, a FDA, que apontou para taquicardia e desfibrilamento de vasos sanguíneos podendo levar seus usuários à morte. Essas drogas sem comprovação científica foram distribuídas pelo governo federal a diversos municípios brasileiros mesmo quando diversos estudos não recomendavam o uso. Tais medicamentos, apesar do risco que representam, encontraram no presidente o seu defensor e garoto-propaganda.

Uma carta aberta do  Centro Acadêmico Oswaldo Cruz (CAOC), que prima pela elegância e respeito, mesmo diante de uma situação lamentável e deplorável com o sepultamento de março de 2020 até o dia de ontem, 24, de mais de 300 mil brasileiros, também foi entregue ao novo ministro explicitando a importância, neste momento, de um lockdown para que o país não venha a sepultar mais pessoas. Confira:

 

Ao excelentíssimo Senhor 

Marcelo Antônio Cartaxo Queiroga Lopes, Ministro da Saúde;

O Centro Acadêmico Oswaldo Cruz vem por meio deste manifestar as preocupações do corpo discente da nossa instituição, a renomada Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), em compreender qual será a postura adotada pela sua administração diante da maior crise sanitária dos últimos anos.

O Governo Federal apresentou até o presente momento prioridades equivocadas e por vezes perversas, resultando em absoluta ineficácia de gestão da crise, com consequências catastróficas para a população. Estas consequências tornam-se incontestáveis diante dos números crescentes de mortes diárias e da incalculável perda de 300 mil vidas, marco atingido no dia de ontem (24/03/21).

No momento mais crítico da pandemia, presenciamos a quarta indicação ao Ministério da Saúde que, desde o início, mostrou-se incapaz de articular políticas eficazes de contenção do vírus. 

Nesse contexto, questionamos a afirmação de que cabe ao Ministério apenas executar as políticas do Governo Bolsonaro. O que poderia significar uma saída para o povo brasileiro, na verdade, reveste-se de continuidade da política implementada até agora, com isenção de qualquer responsabilidade por parte da liderança do Ministério da Saúde.

Os alunos da Faculdade de Medicina da USP unem suas vozes aos titulares desta Casa quando estes afirmaram que as nossas mais potentes armas no combate à COVID-19 são as ações coletivas de prevenção e uma medicina que se alicerce nos conhecimentos científicos, no compromisso com a ética e na empatia aos doentes.

A descredibilização das medidas sociais com forte evidência científica de benefício, a falta de transparência, o completo desrespeito às medidas de isolamento e a ausência de articulação política nos diferentes níveis de gestão concorrem para a manutenção de um quadro que resulta em perdas irreparáveis à sociedade brasileira.

Reconhecendo sua biografia e as contribuições que fez para a prática médica no Brasil, manifestamos o interesse dos nossos alunos em saber o planejamento estratégico para alterar a forma como o Governo Federal trabalhou até aqui, uma vez que os resultados obtidos pelas gestões anteriores foram repetidamente falhos.

Ainda em uníssono aos Professores desta Faculdade, ressaltamos a necessidade de adoção de medidas radicais de lockdown nas regiões mais acometidas, de desenvolvimento de políticas emergenciais intersetoriais para assegurar a adequada adesão das pessoas às políticas de isolamento físico, aceleração significativa do programa de vacinação e medidas de combate às notícias falsas, desinformação e más práticas de prevenção e tratamento.

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