A CARTA DOS IRRESPONSÁVEIS DE UBERLÂNDIA

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No dia em que o Brasil ostenta a marca de 295,685 mortes por Covid-19 e os números de vidas perdidas na cidade de Uberlândia, a segunda maior do Estado de Minas Gerais, com 700 mil habitantes, atingiu 1. 574 de março de 2020 até o dia 22 de março de 2021, entidades irresponsáveis e sem respeito à vida, divulgaram carta aberta ao prefeito Odelmo Leão Carneiro (PP) pleiteando a imediata abertura das atividades econômicas. Na argumentação, fazem uso injustificado e desrespeitoso, para com os mortos da Segunda Guerra Mundial e de todas as guerras anteriores, da Declaração Universal dos Direitos Humanos proclamada em 10 de dezembro de 1948 pela Organização das Nações Unidas (ONU). Tal Declaração é um instrumento, sobretudo, de defesa da vida do homem; nunca o contrário.

A cidade que acumula mais mortes do que a Venezuela, com 28,8 milhões de habitantes e 1502 vidas perdidas até o dia 22 de março de 2021, e tem taxa de ocupação de 100% dos seus leitos de UTI, é  exemplo do colapso resultante da irresponsabilidade de não se ter decretado um lockdown há mais tempo e por período mais longo. É exemplo de um atentado à vida que teve participação especial das entidades que assinam a carta e que, em nenhum momento, procuraram contribuir para que a cidade não se tornasse, como se tornou, um dos epicentros da pandemia no Brasil. Ao contrário, essas são as mesmas entidades que, com reiterados pedidos de abertura de comércio e indústria, a maior parte deles atendidos, sem ao menos a exigência de que oferecessem um plano alternativo de transporte aos empregados que se expuseram ao vírus em ônibus lotados, agora surgem novamente com suas vozes de pregoeiros do caos. Mais do que uma carta trata-se de um verdadeiro atentado à vida, um atestado de óbito dos valores que deveriam reger as relações humanas e que, neste texto, são devidamente sepultados sem nenhum respeito aos uberlandenses, aos mortos e às famílias enlutadas.

 

CARTA ABERTA AO PREFEITO DE UBERLÂNDIA – ODELMO LEÃO

Exmo. Senhor

Odelmo Leão

Prefeito da cidade de Uberlândia

As entidades abaixo assinadas;

Considerando o resultado da pesquisa efetuada pela CDL, na semana de 15 a 22 de março, com uma amostragem de 3.000 empresas da cidade de Uberlândia, podemos afirmar que não existe mais condição do empresariado manter suas atividades fechadas, em nome do combate ao Coronavírus;

Considerando que até agora todos os meios científicos disponíveis para evitar o contágio da covid-19, não se mostraram totalmente eficientes, porque o vírus sofre mutações constantes e, mesmo “ficando em casa”, ninguém está imune a ele;

Considerando que os dados municipais comprovam que a pandemia cresce constantemente, apesar de todas as tentativas de refreá-la;

Considerando que em um regime democrático, não se pode impedir o direito de ir e vir do cidadão e que o artigo 25 da Declaração Universal de Direitos Humanos das Nações Unidas, define que toda família tem direito a um nível de vida que lhes dê condições de sobrevivência e bem-estar e que isto só acontece quando o trabalho é permitido de forma ampla, diversa e democrática, porque o Estado não produz renda, nem empregos, a não ser pelo recolhimento dos impostos oriundos da iniciativa privada;

Considerando que as atividades econômicas, principalmente as do comércio e serviços, apesar de estarem cumprindo todas as normativas quanto à saúde e higiene em seus estabelecimentos, têm sofrido todas as formas de restrições e contenções impostas pelo poder público, imputando aos mesmos todas as formas de prejuízos e desintegrações, quanto à sua capacidade de subsistência, mesmo estando claro que a culpa pelo aumento da propagação da doença, se dá principalmente pelas aglomerações em festas clandestinas, transportes coletivos, migrações, filas e outras situações do gênero;

Considerando que a sociedade produtiva tem sido excluída permanentemente das discussões, sobre as formas de enfrentamento da doença, que as ações impetradas até o momento pelo poder público foram ineficazes e que a vacina ainda vai tardar para ser aplicada em todos os brasileiros;

Considerando que a sobrevivência dos cidadãos só se dará de forma adequada, se for dado o equilíbrio entre a economia e a saúde, situação que até o momento não foi respeitada, as entidades acima, que representam os setores econômicos, SE MANIFESTAM, conforme abaixo:

Solicitamos um novo programa de abertura imediata de todas as atividades econômicas, respeitando todas as regras de distanciamento, higiene e saúde, assim como o uso de máscaras, a ser desenvolvido por membros da iniciativa privada em paridade com Vossa Excelência e membros da saúde, com ampla visão prática da situação.

Lembramos que a vontade da maioria da sociedade produtiva deve ser respeitada e é importante para a estabilidade e a governabilidade de qualquer lugar.

Aguardamos com a maior brevidade possível a resposta de V.Ex.ª, para iniciarmos os trabalhos conjuntos e nos despedimos com nossos sinceros agradecimentos.

Uberlândia, 23 de março de 2021

ABRASEL

ACIUB

CDL

FIEMG

SINDITUR

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