HABILIDADES NECESSÁRIAS PARA O FUTURO

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Por Bruno Dreher*

O Fórum Econômico Mundial é uma das mais respeitadas instituições globais sobre economia e tendências do planeta. Além do famoso encontro que acontece anualmente em Davos, na Suíça, a instituição divulga uma série de conteúdos que têm como objetivo instruir as pessoas sobre o futuro do mercado e profissões. Um dos mais requisitados é o estudo sobre as habilidades necessárias para o futuro.

No decorrer do texto, falarei um pouco sobre cada uma delas e de porque elas são cada vez mais fundamentais.

Pensamento analítico e inovação: Para inovar, você é obrigado a fazer uma análise do objeto do seu projeto. Hoje, possuímos uma abundância de informações e dados sobre praticamente todos os mercados do mundo. Portanto, ter a capacidade de fazer um diagnóstico (análise) correto utilizando essas informações, aumenta muito as chances da criação de inovações assertivas.

Aprendizado Ativo e Estratégias de Aprendizado: Existe um fio condutor entre este tópico e o anterior: informação. Eu costumo dizer que antes da internet, o ensino formal (escolas, universidades e bibliotecas) possuía o monopólio da informação e nos transformava em alunos passivos. Você sentava na cadeira, um professor passava o conteúdo, as tarefas e você as executava. Hoje, faz-se necessária esta mudança de chave. Em vez de receber algo pronto de algum tutor, você deve criar uma estratégia de aprendizado baseado nas suas necessidades e se tornar um aluno ativo, buscando conteúdos que façam sentido para o seu desenvolvimento.

Criatividade, originalidade e iniciativa: Cada vez mais, os trabalhos repetitivos serão substituídos pela tecnologia. Na minha primeira empresa, por trabalharmos com exportação e importação, possuíamos muito trabalho burocrático para confecção de documentos. Era uma espécie de linha de produção de documentos, que em muitos momentos possuíam dados repetidos. Vendo isso, decidi criar um sistema de inteligência artificial simples, que facilitava muito esta linha de produção. Veja: identifiquei um problema, criei uma solução original e tomei a iniciativa de implementá-la. Cada vez mais, este tipo de conduta se tornará necessária no mercado.

Design de Tecnologia e programação: Há alguns anos, tive aula com o professor Silvio Meira, um dos magos da tecnologia no Brasil. Lembro até hoje que ele disse que “a programação é a alfabetização do século XXI”. Talvez tenha uma dose de exagero aí, admito. Porém, cada vez mais precisaremos programar e desenhar soluções tecnológicas para mantermos a nossa relevância no mercado de trabalho.

Pensamento Crítico e Análise: Mais uma vez, a palavra “análise” aparece neste ranking. Não é por acaso. Talvez a capacidade de analisar e criticar (no sentido construtivo da palavra) seja a base para todas as outras habilidades. Seja na sua autoanálise e autocrítica (algo que exigimos muito em políticos, mas nem sempre estamos dispostos a fazer), seja na análise e crítica da empresa onde você trabalha. Sem isso, nem você, nem a sua empresa saem do lugar onde se encontram.

Resolução de problemas complexos: Costumo fazer uma brincadeira entre problemas simples e problemas complexos. Imagine que você tenha ficado resfriado e vá na farmácia comprar um remédio. Você está resolvendo o problema de uma forma simples. Mas vamos pensar de forma um pouco mais complexa: você ficou resfriado, pois seu corpo foi exposto ao frio. Ele foi exposto ao frio porque você ficou com a roupa molhada. Você ficou com a roupa molhada porque estava chovendo. Você só pegou chuva porque saiu de casa sem guarda-chuva. Na próxima vez, você poderá sair novamente na chuva, se molhar, ficar resfriado e ter que comprar um remédio (resolução de problema simples) OU poderá simplesmente sair de guarda-chuva e resolver a causa raiz do problema (resolução de problema complexo).

Liderança e Influência Social: Talvez este seja o tópico com o título mais autoexplicativo de todos. Construir credibilidade e autoridade para influenciar e liderar, entregando para as pessoas o que elas querem, gostam ou precisam tornou-se um diferencial imprescindível para quem quer se destacar nos dias de hoje.

Inteligência Emocional: Nunca tivemos tantas pessoas tendo problemas emocionais e, por isso, nunca tivemos tanta procura por terapia. Em um mundo onde estamos conectados o tempo todo e todos (exceto nós) parecem lindos, felizes e ricos no Instagram, tendemos a fazer comparações com a nossa vida, que não é tão florida quanto a vida das redes sociais. Muitas vezes, isso gera ansiedade e até depressão. No trabalho, não é diferente. Todos os itens acima colocam você numa postura mais ativa em relação ao trabalho. Você precisará analisar, criar, pensar, criticar. E, muitas vezes irá errar, ter seus projetos rejeitados pelos seus chefes ou pelo mercado. E sim, você errará muito neste caminho e precisará lidar com todas estas frustrações.

Raciocínio, resolução de problemas e ideação: Mais uma vez aparece aqui o termo “resolução de problemas”. Mas aqui, a interpretação é um pouco diferente. Quando você soluciona um problema, você começa com as criações de ideias para resolvê-los (ideação) e precisa usar do raciocínio para fazê-lo. A questão aqui é explicar (para você ou para os outros) o seu raciocínio. Em 2017, fiz um curso de Pensamento Matemático da Universidade de Stanford e, pela primeira vez, eu entendi porque as minhas professoras da escola queriam o desenvolvimento do cálculo na prova. Ela é a mostra do seu raciocínio. Mostra como você chegou no resultado final. É o que eu fiz no item 6: mostrei o caminho do meu raciocínio que me levou até a ideia (usar guarda-chuva) para resolver um problema (resfriado) no futuro.

Análise de sistemas e avaliação: E pela terceira vez aparece aqui a palavra “análise”. Aqui, focado em sistemas (podem ser sistemas de TI, ecossistemas empresariais ou até mesmo o próprio ecossistema). O objetivo, uma vez mais, é entender a lógica por trás do sistema analisado e avaliá-lo, vendo pontos positivos e negativos.

No estudo ainda contamos com as dez habilidades que são cada vez menos necessárias no mercado. Podemos explorá-las mais em outro artigo, mas o resumo é que cada vez mais vamos precisar de habilidades mentais e cada vez menos de habilidades físicas e trabalhos manuais. Seremos cada vez mais criadores e cada vez menos executores. Um exemplo muito próximo para exemplificar é o carro autônomo – Dirigir um carro precisa de inúmeras habilidades motoras e repetitivas. Todas elas já são substituídas por Inteligências Artificiais em alguns modelos e a tendência é que isso se torne uma realidade cada vez mais presente.

E para terminar, trago uma ótima notícia: somente pelo fato de você ter decidido entrar neste artigo e ler este texto até o final já é um ótimo sinal, pois você, definitivamente, é uma pessoa que preenche o segundo item das habilidades acima citadas. Você chegou até aqui por sua própria iniciativa, buscando conteúdo de uma forma ativa. Espero que este texto sirva para o desenvolvimento contínuo de suas habilidades, transformando-o em uma pessoa de excelência profissional e pessoal.

*Bruno Dreher é futurista pela Universidade Hebraica de Jerusalém (curso de inovação e futurismo mais prestigiado do mundo). Já prestou cursos chancelados por Harvard, Stanford e Dartmouth e exerceu cargos de liderança em grandes grupos de educação como Grupo A e Escola Conquer

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