VALENTINO: DOS CABELOS DE ZENDAYA AO SURREALISMO JAPONÊS

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Por Yume Ikeda, de Tóquio

Desde que o estilista italiano Valentino Clemente Ludovico Garavani (1932) abriu seu primeiro estúdio de alta costura em Roma, em 1959, na Via Condotti, o V de Valentino esteve atrelado à marca e conquistou olhares e desejos de grandes ícones do cinema, tanto que no tapete vermelho da entrega do Oscar, o troféu da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, em Los Angeles (EUA), são muitas as estrelas que usam suas criações. É o caso da atriz Zendaya, a mesma que foi vítima de bullying em 2015 por parte da nada elegante apresentadora do programa Fashion Police Giuliana Rancic. Tudo por ter pisado no tapete vermelho de Hollywood usando dreads (em português rasta, diminutivo de rastafari) no cabelo. Agora, a atriz, modelo, compositora e cantora que tem orgulho de sua descendência afro, seu nome no dialeto bantu do Zimbabué quer dizer agradecer, deita e rola com seus cabelos para apresentar bolsas impecáveis da Collezione Milano de Valentino ao som de Mount Everest de Labrinth. Vingança como acreditam os italianos é um prato que se come frio, de preferência gelatto. E a coleção assinada por Zendaya para Valentino é prova inconteste de sua elegância e personalidade.

Dentro da Collezione Milano, criada em colaboração com estilistas como Kōki, Valentino se apresenta por meio de referências como o filme surrealista japonês Kusa meikyū (草迷宮), obra de 1979 com direção de Shūji Terayama. O filme é um drama surrealista sobre um jovem adulto procurando por uma canção em particular, ou talvez pelo seu pai, ou talvez por si mesmo. Nesse clima, formas geométricas, como bolas, percorrem o caminho do protagonista. A tensão das descobertas serviu de inspiração para essas criações.

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