MEGADETH PASSEIA PELO CEMITÉRIO DA CONSOLAÇÃO

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Em 2016, a banda americana Megadeth fez uma turnê pelo Brasil, tendo como um de seus integrantes o brasileiro Kiko Loureiro, para divulgar o disco Dystopia. De quebra, aproveitou para gravar um clipe da música Lying in State no Cemitério da Consolação, em São Paulo, capital. O mascote da banda, o caveira Vic Rattlehead, tem uma missão que é a de resgatar um garoto aprisionado e passeia então por alamedas e túmulos históricos de um dos mais tradicionais cemitérios do país, onde estão sepultados entre outros a Marquesa de Santos, Monteiro Lobato, Washington Luís, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, Afonso Arinos de Melo Franco, Paulo Vanzolini e  uma pá de personagens ilustres da vida paulistana e brasileira.

A banda trash dos metais Megadeth foi criada em 1983, quando por seu comportamento instável e o uso exagerado de drogas o vocalista e guitarrista Dave Mustaine foi demitido da Metallica. Ao criar a sua própria banda, hoje com milhões de discos vendidos e uma legião de fãs, Mustaine deixou claro o seu propósito e o ritmo de sua banda: “Após ser expulso do Metallica, tudo que eu lembrava era que eu queria sangue. O deles. Queria ser mais rápido e pesado que eles”, disse à imprensa no lançamento do álbum “Killing Is My Business… and Business Is Good!” pela Loud Records em maio de 2002.

Do seu início até hoje, e por seu comportamento sempre instável e rebelde, a banda de Mustaine já passou por inúmeros integrantes. O brasileiro Kiko Loureiro vem resistindo, talvez por ter levado o caveira Vic, o mascote, para este passeio no Cemitério da Consolação e conquistado a proteção dos que ali repousam ao deixarem o local, após o som acelerado e forte da banda.

Já o Cemitério da Consolação foi inaugurado em 1858, rompendo com a tradição de sepultamentos em igrejas, que se tornaram insalubres com o surto então de uma epidemia de varíola. Com o passar dos anos, a primeira necrópole da capital paulista passou por um processo de elitização e abriga ainda hoje o maior mausoléu da América Latina, o da família Matarazzo, que já respondeu nos anos 1940 e 1950 pela maior fatia do Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma de todas as riquezas, do Brasil.

Considerado um museu a céu aberto, abriga obras de e o próprio arquiteto Ramos de Azevedo, que projetou o seu solene e colossal portão de entrada, Victor Brecheret, Celso Antônio Silveira de Menezes, Nicola Rollo, Galileo Emendabili e o italiano Luigi Brizzolara, que é o autor das esculturas monumentais do mausoléu dos Matarazzo.

Neste momento de pandemia não é aconselhável a visita ao cemitério que oferece guias para um passeio por suas alamedas e aos túmulos ilustres. Arquitetos e artistas plásticos são visitas constantes, pois é possível nesta necrópole conhecer um pouco da evolução da arte funerária e dos diferentes estilos arquitetônicos do qual alguns sepulcros hoje são legítimos representantes.

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