A BELEZA PERTURBADORA DE DIOR

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Dior invadiu o Palácio de Versalhes, nos arredores de Paris, para apresentar, num clima de tensão no qual revisita contos de fadas, uma perturbadora beleza como a própria estilista Maria Grazia Chiuri denominou as suas criações para a estação outono inverno 2021. Disturbing Beauty mostra que, no passar dos minutos e das horas, tudo pode mudar e tudo pode ser ressignificado. A coreografia da bailarina israelense Sharon Eyal explora as camadas, as dobras dos contos de fadas no famoso Salão dos Espelhos, que ganhou nova roupagem e opacidade pelas mãos da artista italiana Silvia Giambrone. Assim, não refletem mais a mulher, as libertam dos espelhos, as deixam livres para serem, apenas serem o que realmente são e o que quiserem ser, bruxas ou fadas; ou ambas.

Quando se trata de Dior, no entanto, a pele ganha outra pele, a dos tecidos, e Maria Grazia Chiuri faz uso daqueles que parecem sair de teares, de calçados militares para proteger os pés da neve que a estação anuncia, de bolsas clássicas com o realce da possibilidade de carregarem mais coisas – as mulheres adoram isso – em compartimentos cuidadosamente lineares, sem que do exterior se veja os segredos que estão dentro. Os tecidos vaporosos que emprestam o véu da noite também têm lugar numa coleção marcada pela tensão entre os contos de fada do passado e a mulher que deles se liberta como sugere a ausência de espelhos justamente no Salão de Espelhos de Versalhes. É, de fato, uma beleza perturbadora que Dior traz para as estações mais frias do ano.

Nos vídeos dos bastidores, o trabalho de coreografia e cenografia mostram o empenho de Maria Grazia Chiuri em emprestar novo conteúdo aos contos de fadas no histórico e deslumbrante Palácio de Versalhes.

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