ABI EXIBE HOJE O FILME PROIBIDO PELA DITADURA

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O Cineclube Macunaíma inicia hoje, dia 9 de março de 2021, às 18hs, a Mostra Vladimir Carvalho com a exibição de O País de São Saruê, de Wladimir Carvalho, no canal da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) no YouTube. O longa foi vetado no Festival de Brasília, em 1971, durante a ditadura, sob a alegação de que prejudicava a imagem do Brasil, provocando forte reação do público e a consequente suspensão do festival por três anos. Somente em 1979, foi exibido nessa mostra, recebendo o Prêmio Especial do Júri.

Após o filme, o diretor participa de um debate, às 19h30, com o cineasta Silvio Tendler, o crítico Rodrigo Fonseca, a escritora e cineasta Inez Cabral de Melo e Ricardo Cota (mediador).Os outros três filmes do diretor a serem exibidos às terças-feiras, em março são O Evangelho segundo Teotônio (16/3), Barra 68 (23/3) e Conterrâneo Velho de Guerra (30/3), este sem debate porque tem duração de três horas.

Com depoimentos reais, O País de São Saruê retrata a vida de lavradores e garimpeiros no vale do rio do Peixe, mostrando o cotidiano de secas e a pobreza nessa região semiárida do Nordeste do Brasil. O filme tem início com um Monólogo sobre o sertão, leitura de um poema de Jomar Moraes, que será a espinha dorsal da obra. As entrevistas são inseridas aos poucos, contrapostas às cenas de folclore local, a fotos antigas e material musical de Luiz Gonzaga, José Siqueira e Ernesto Nazaré. Em uma votação entre críticos e pesquisadores, foi eleito um dos melhores documentários do cinema brasileiro. O filme é narrado pelo dramaturgo Paulo Pontes e tem 90 minutos.

O cineasta Vladimir Carvalho, de 86 anos, é de Itabaiana na Paraíba, mas fez faculdade de Filosofia em Salvador onde conheceu Caetano Veloso e Glauber Rocha, integrando o Cinema Novo e sendo parte da vertente documentarista do movimento. Ao mesmo tempo, influenciado e influenciando o cineasta baiano com sua cinematografia documentária inovadora. Em 1964, quando foi instalada a ditadura militar no país, Vladimir e o cineasta Eduardo Coutinho foram surpreendidos quando filmavam Cabra marcado para morrer, no engenho Galiléa, em Pernambuco. Entraram na clandestinidade porque sabiam que seriam presos porque filmavam o tema explosivo das Ligas Camponesas. Passou a usar o nome de José Pereira dos Santos e como Zé dos Santos, tornou-se escultor de santos de madeira, em um sítio no interior da Paraíba.

Ao sair do esconderijo, veio para o Rio de Janeiro onde conheceu Arnaldo Jabor, aprendendo com o cineasta carioca a forma descontraída de filmar, indo também trabalhar como repórter no Diário de Notícias quando cobriu as passeatas contra a ditadura e a dos cem mil, além de entrevistar líderes estudantis. Em 1969, faz seu curta A Bolandeira, ganhando um dos prêmios do Festival de Brasília, cidade onde se instalou, realizando documentários sobre as questões sociais. Ganhou diversos prêmios como a Margarida de Prata, da CNBB.

Em 1971, seu longa metragem O País de São Saruê foi retirado do Festival de Brasília pela censura federal. Convidado para exibição no Festival de Cannes não pode aceitar porque só havia uma cópia que não podia sair do país. Em 1979, com a abertura da ditadura, São Saruê é exibido no Festival de Brasília, ganhando o Prêmio Especial do Júri. Na década de 1980 filmou os longa O Homem de Areia (1981), a realidade dos candangos com uma chacina de operários num acampamento de uma das empreiteiras da construção de Brasília.

Em 1990, Conterrâneos Velho de Guerra surpreende o Festival de Brasília e sai com diversos prêmios, revertidos na construção da Fundação Cinememória e, em 2004, torna-se embaixador cultural da cidade. Em 2005, filma o Engenho de Zé Lins já como presidente da Fundação Astrojildo Pereira de divulgação da cultura brasileira. De sua filmografia constam 24 documentários.

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