SER JOSÉ LEONILSON EM CARTAZ ON-LINE E DE GRAÇA

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O espetáculo Ser José Leonilson ganha versão audiovisual on-line e gratuita, de sexta a domingo, às 20 horas, para ser transmitida em tempos de teatros fechados e programações canceladas. Nessa versão, a linguagem audiovisual – que já estava presente no espetáculo – se amplifica na tentativa que criar novas tensões entre as artes visuais e a arte da presença. Se no espetáculo teatral, Laerte Késsimos já fazia uso dessa técnica, com projeções operadas ao vivo, criando molduras para a reprodução em cena de seu diário íntimo gravado durante o processo, nesses tempos, os espectadores presentes do outro lado da tela poderão acompanhar sua travessia na intimidade do seu ateliê.

Idealizado por Laerte Késsimos, dirigido por Aura Cunha, com dramaturgia de Leonardo Moreira, o espetáculo “Ser José Leonilson” é uma costura poética entre a vida e obra do artista plástico José Leonilson (1957-1993) e a biografia de Laerte Késsimos. Elaborado a partir dos depoimentos (biográficos e artísticos) do artista plástico brasileiro e registros sonoros feitos pelo próprio Laerte durante o processo de criação e pesquisa, o tecido que é alinhavado diante do público une as inquietações dos dois artistas: a feitura artística como um autorretrato, a casa de infância como um ambiente de domesticação, a sexualidade como campo de batalha, as pontes amorosas como uma travessia e a doença como uma reconciliação com nossa finitude.

Aproximando-se de forma direta da obra de Leonilson, o próprio processo de investigação de Laerte, os vestígios da criação, os áudios que dão dimensão histórica ao cotidiano criativo são, eles próprios, a obra. Um bordado em que frente e verso são compartilhados publicamente – suas amarras, cortes, sobras de linha, correções, imperfeições, pontos e nós.

Organizada como um documentário poético em que a vida de Laerte (e a feitura desse espetáculo) se entrelaça aos diários, gravações e depoimentos de Leonilson, a montagem não está preocupada em levantar um edifício ficcional. Antes, contenta-se com o relato e a descrição de obras, criando um ambiente poético que não abandona a narrativa e o contato direto com o público. Os artifícios técnicos, como a projeção de imagens e a tessitura de palavras em tecidos, pretendem trabalhar para reunir o humano na direção de um objeto estético que não nos pede necessariamente o mesmo olhar, mas nem por isso deixa de nos reconhecer como coletivo.

Diante do público, constrói-se um panorama não só interior, mas também exterior, de nosso tempo e do mundo ao nosso redor. Nos tempos atuais, em que a opressão e o conservadorismo se erguem como uma onda alta que pode nos derrubar com força, trazer à tona um artista gay (vale ressaltar a tragédia que é esse ainda ser um tema controverso em nosso país); HIV positivo (esse tema migrou de uma epidemia

para um preconceito escondido e silencioso) e a favor de uma política subjetiva e íntima (quando a subjetividade e a intimidade são os primeiros alvos de políticas opressivas) é, em si, um ato político. Cada vez que as ondas conservadoras nos derrubam, mergulhamos mais e mais fundo, com o momento de alívio passa antes que possamos agarrá-lo, pois a onda já está juntando forças para atingi-la novamente. Esse trabalho acredita que a tábua a que nos agarramos nesse naufrágio só pode ser poética – a um só tempo pessoal e política.

+ Para assistir ao espetáculo três coisas são imprescindíveis:

 1) baixar o aplicativo Zoom https://zoom.us

2) fazer um cadastro e logar no site https://www.sympla.com.br

3) acessar a área Meus ingressos e clicar em ACESSAR TRANSMISSÃO (disponível 15 minutos antes do horário de início do evento)

 

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