SANGRI-LA SEGUNDO MIU MIU

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É a Califórnia, USA, durante a Grande Depressão o cenário escolhido pela diretora filipina Isabel Sandoval, uma mulher negra e trans, para o filme de curta-metragem Sangri-la da renomada grife Miu Miu que pertence ao italiano Prada Group. Isabel Sandoval escreveu, editou e dirigiu essa produção primorosa na qual uma mulher está confidenciando seus pensamentos mais íntimos em um confessionário na igreja, enquanto o homem do outro lado escuta silenciosa e atentamente. Mas este não é um ritual religioso comum em busca de salvação. A mulher – uma camponesa filipina de segunda geração – está absorta em devaneios de RPG (o jogo em que os personagens interpretam vários papéis e que pode ser colaborativo) e as palavras sensuais dirigidas a ela pelo amante  americano, durante um período histórico em que tais relações inter-raciais eram proibidas por lei estadual, ecoam. O confessionário então se transforma em uma máquina do tempo romântica, estática e melancólica, viajando para futuros alternativos. Ela se manifesta, então, como múltiplas mulheres deslumbrantes, e podem amar livremente.

SHANGRI-LA é a 21ª produção dos Contos de Mulheres de Miu Miu.  A aclamada série de curtas-metragens que convida as cineastas mais profundas e originais da atualidade a investigarem a vaidade e a feminilidade no século 21.

Isabel Sandoval é uma diretora, escritora, editora, produtora e atriz das Filipinas que vive e trabalha em Nova York. Ela fez história na seção ‘Giornate degli Autori’ do Festival Internacional de Cinema de Veneza de 2019 com o primeiro filme dirigido por uma mulher trans negra a ser exibido em uma competição. Esse filme, Língua Franca, é o primeiro longa metragem de Isabel Sandoval feito nos EUA. Recentemente ela foi nomeada para concorrer ao prêmio Independent Spirit John Cassavetes 2021. A estreia de Isabel como diretora foi com a inflexível Señorita, que lhe rendeu o Prêmio de Diretora Emergente no Festival Internacional de Cinema Asiático-Americano, que foi seguido pelo drama da freira da era Marcos, Aparição, que ganhou um prêmio do público no Festival de Cinema Asiático de Deauville. Atualmente ela desenvolve seu quarto longa, Tropical Gothic, selecionado para o Projeto Talentos da Berlinale 2021.

A protagonista de Shangri-La é interpretada pela própria Isabel e o drama é co-estrelado por Matthew Fifer, um ator-diretor cujo filme Cicada estreou no BFI London Film Festival em setembro de 2020. Shangri-La foi filmado em Los Angeles em dezembro de 2020.

“Fiquei chocada, honrada e privilegiada”, diz Isabel, “por ser convidada para dirigir o Contos de Mulheres de Miu Miu.” Shangri-La se torna uma vitrine de fantasia da última coleção da Miu Miu. “Eu considero os figurinos uma expressão do personagem principal, potencial como mulher ”, explica Isabel,“ onde ela se vê como uma guerreira, princesa ou deusa ”. Todos esses looks permitiram que a protagonista sentisse “poder, fascinação, ambição e força”.

O título Shangri-La evoca a ideia de paraíso terrestre, isolado do mundo. Para alguns imigrantes, a América foi uma prometida Shangri-La, cuja realidade no século 19 e início do 20, acabou por tornar a história diferente. Isabel Sandoval imprime no filme seu olhar histórico ao redor – através das lentes adicionais de uma mulher trans de cor – em um retrato otimista de liberdade, libertação e utopia, longe do preconceito.

SHANGRI-LA estreou digitalmente em 23 de fevereiro de 2021 nos canais sociais  de Miu Miu.

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