COLETIVO 21: ARTE EM TEMPOS DE PANDEMIA

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Em tempos de pandemia, as galerias de arte e os artistas tiveram que buscar alternativas para mostrar seus trabalhos. A escolha recaiu pelas exposições virtuais. Os galeristas adaptaram seus sites para receber o público para assistir a exposição e adquirir suas obras sem precisar se deslocar para a loja física e por em risco o isolamento social. Foi o que fez um grupo de artistas, o Coletivo 21, que abriu sua exposição virtual na galeria Wikiarte, de São Paulo.

O fato de a exposição ser virtual permitiu que artistas de diversas regiões do país se unissem nessa exposição. O ponto de partida foi um curso ministrado pelo artista plástico Sergio Fingerman. Após o curso se formou o grupo. Inaugurada dia 21 de fevereiro, ela está programada para ficar no site da galeria até 22 de abril.

São 17 artistas que exibem uma gama variada de obras. São pinturas, aquarelas, gravuras, fotografias, arte digital, esculturas que olhadas isoladamente parecem ter pouca ligação entre elas, mas que se forem observadas como conjunto mostram todos “uma vontade de construir um projeto poético que tenha uma singularidade e ao mesmo tempo têm um pacto coletivo com a criatividade”, como diz o artista plástico Sergio Fingerman em um vídeo de apresentação.

O COLETIVO 21

​O que há de comum entre pouco mais de duas dezenas de artistas que nunca se viram pessoalmente e que há pouco mais de seis meses sequer sabiam da existência uns dos outros? São pintores em tinta acrílica, em tinta óleo, escultores, gravuristas, artistas digitais, aquarelistas em um amplo espectro da expressão das artes visuais e que se uniram em torno de um propósito: mostrar seus trabalhos.

O ponto que une esse grupo de artistas oriundos de diversas regiões do país é a série de lições do professor e artista plástico Sérgio Fingermann que, graças às ferramentas on line, popularizadas como forma de driblar os rigores da pandemia que ataca o mundo, juntou gente tão diferente para ouvir seus “mantras” da criação à exposição.

​Essas lições do mestre fizeram o grupo pensar e encontrar suas sinapses, suas ligações, os trabalhos irmãos, mesmo concebidos a quilômetros de distância um do outro.

​A obra é de cada um. Mas todos têm a certeza de que é preciso trabalhar muito _ apagar, riscar, esfregar. Não aceitar o primeiro resultado é um senso comum. Assim como entendem a necessidade de conversar com a obra e ver para onde ela conduz o artista. E não ao contrário. São artistas visuais que não se contentam com qualquer resultado. Se perguntam se aquele trabalho vale ser mostrado em uma sociedade cada vez mais inundada por imagens.

​Nesta exposição estarão à mostra diversas visões da arte. Obras abstratas, figurativas, em cores luminosas, outras escuras ou em tons neutros….Mas com certeza, além de observar a qualidade dos trabalhos individualmente, o espectador perceberá a potência que existe entre eles. É esta força que move o Coletivo 21.

 

A EXPOSIÇÃO

​A galeria de arte Wikiarte apresenta a exposição online do Coletivo 21, grupo composto por artistas singulares. O discurso plástico do conjunto dos trabalhos dos integrantes é inspirador, perpassa diversas atitudes criativas e temas.

O ser humano é retratado pela sobreposição de seus vários eus. O tema do urbano se faz presente em fotografias com colagem digital, onde o desenho, a cor, as texturas determinam a visualidade do espaço; ou em expressões espaciais enfatizadas pelo jogo de luz e sombra, derivação de maquetes físicas. A natureza comparece em aquarelas que enfatizam as cores tropicais, ou constitui a própria materialidade das pinturas com cascas de árvores e em pinturas digitais. Universos subjetivos são enfatizados em memórias do imaginado e do vivido, na busca de emocionar pela imagem, na construção de imagens pessoais que ressoam em ideias universais. Experiências formais buscam novas soluções sensíveis, a repetição com a inserção de sutis desvios trazem novas significações, pinturas que apresentam sua construção no próprio fazer, marcados pelos apagamentos e sobreposições, ou no trabalho que se estrutura de forma espontânea fruto de construções do pensamento.  O tempo e o espaço estão presentes num jogo lúdico entre coisas. Personas inscritas na argila ou no pó de mármore, carregam diferentes inspirações.

O depoimento do artista plástico e professor Sérgio Fingermann ressalta a procura destes artistas por  territórios particulares de investigação poética, uma atitude que formaliza os interesses do Coletivo 21.

Os artistas apresentam e refletem sobre seu próprio processo de criação. Esta exposição online enriquece nossa cultura, e seu formato se adequa ao contexto de pandemia e distanciamento social.

Regina Wilke, Galeira Online Wikiarte

Os artistas que estão expondo são Antonio Carlos Lima, Clara Infante, Dea H. Lutaif, Erni Seibel, Fau Martins , Jacy de Almeida , Jussi Szilágyi , Liane Sanchez, Lucia Moretzsohn , Luzia Velloso, Nadia Saad , Nando Paulino, Paulo Bach, Tamara Roman, Vera Beznos e Zucapaul.

 

 

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