O CANTO DE CISNE DE MARILENA ANSALDI

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A arte brasileira perdeu nesta terça-feira, 9 de fevereiro, aos 86 anos, a atriz e bailarina Marilena Ansaldi. Primeira bailarina do Teatro Municipal de São Paulo nas décadas de 1950 e 1960. Foi também idealizadora e criadora do Balé de Câmara do Estado de São Paulo (1966) e do Grupo de Dança Viva (1972 – São Paulo).

Marilena Ansaldi teve também participação marcante em espetáculos teatrais carregados de dança e vitalidade dramática capazes de marcar gerações, como Escuta Zé Ninguém, texto baseado em Wilhem Reich e montado em 1977, período de grande repressão e recrudescimento da ditadura militar no Brasil. Ousado e corajoso, este texto ganhou direção de Celso Nunes. A partir daí, a atriz e bailarina não parou mais, foi presença constante nos palcos com grande talento e maestria. Em 1979, por exemplo, montou Um sopro de vida, baseado na obra homônima de Clarice Lispector com direção de José Possi Neto.

Coube ao diretor comunicar nas redes sociais o canto de cisne da estrela:

ANSALDI é referência e sinônimo de excelência em Arte e Cultura. Foi dramática e trágica nos palcos, mas foi hilária e divertida na vida. Foi bailarina clássica, solista no Corpo de Baile do Teatro Municipal de São Paulo, e no Balé Bolshoi na Rússia nos anos 60. Fundadora junto com Antônio Carlos Cardoso do Balé da Cidade de São Paulo. Pioneira no Teatro-Dança no Brasil, responsável por alguns dos mais belos e provocantes espetáculos nessa linguagem, alguns dos quais tive o privilégio e a honra de dirigir. Trabalhou com Iacov Hillel, Celso Nunes, Márcio Aurélio, Cibelle Forjaz. Foi única e inconfundível na sua arte. O Brasil fica mais triste e mais pobre com sua partida, mas a sua obra e sua arte resistirá à passagem do tempo vingando esse tempo de calamidades e mediocridades políticas que tanto a abateram nos seus últimos dias. MARILENA ANSALDI é o Brasil.

Com projeto audiovisual do Estúdio Preto e Branco, a peça “Paixão e fúria — Callas, O Mito” – um espetáculo de dança – celebra o aniversário de 90 anos da cantora lírica Maria Callas. Também marca o retorno aos palcos de Marilena Ansaldi e a estreia do Studio3 Cia de Dança no Festival de Curitiba.

No palco, 20 bailarinos enfrentam o desafio de incorporar a paixão e a fúria, dois sentimentos que se tornaram a identidade artística de Callas. Após as apresentações em Curitiba e São Paulo a peça partiu para Milão e Paris.

Direção: José Possi Neto Criação Coreográfica: Anselmo Zolla Roteiro: José Possi Neto Direção Musical: Felipe Venancio Cenário: Renata Pati e Brito Antunes Video Designer: Daniel Grizante Projeto Audiovisual: Estúdio Preto e Branco Figurinos: Fabio Namatame Artista convidada: Marilena Ansaldi Elenco: Beth Risoléu, Dilênia Reis, Laura Mayer, Liliane Benevento, Liris do Lago, Mara Mesquita, Melissa Soares, Renata Almeida, Vera Lafer, Alexandre Nascimento, Anderson Ribeiro, Edgar Dias, Israel Alves, José Perez, Jurandir Fanarof, Laudinei Delgado, Luciano Martins, Sergio Galdino Direção Artística: Anselmo Zolla Direção Geral: Evelyn Baruque Duração: 80 min.

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